Beyond the resumé: Currículo como única ferramenta de seleção

Você está procurando um novo emprego. E está ávido por entrevistas, para mostrar por que tem que ser contratado para aquela vaga que se encaixa como uma luva no seu perfil. Mas aí, antes que você possa mostrar quem é, qual é a primeira coisa que qualquer recrutador te pede?

Seu Curriculum Vitae.

E o que é um Curriculum Vitae?

“O curriculum vitae é uma síntese de qualificações e aptidões, na qual o candidato a alguma vaga de emprego descreve as experiências profissionais, formação acadêmica e dados pessoais para contato”. Ou seja, é uma ferramenta para comunicar a sua experiência. E só!

Então, como você pode mostrar seu diferencial a um empregador em potencial?

Isso só será possível se (e somente se) a sopa de letrinhas descrita na vaga coincidir com a sopa de letrinhas do seu currículo, e se a quantidade de anos de experiência solicitado pela vaga coincidir com a sua experiência. Arrisco dizer que, a princípio, você é um emaranhado de letras e números envolvidos em comparações binárias.

O que agrava ainda mais este processo de seleção tradicional é o fato de que você precisa se mostrar o cara certo para a vaga certa em uma ou duas páginas, afinal “recrutadores recebem dezenas de currículos diariamente e não tem tempo a perder – ou nem perdem tempo – com a leitura de currículos muito longos”. It sounds so 70’s!

Não estou dizendo que não seja necessário ter filtros nos processos seletivos. Mas existem outras nuances que deveriam ser consideradas pelos recrutadores. Afinal, nessa “fase alfanumérica”, quantos perfis apaixonados, criativos, com personalidade e potencial seriam ignorados?

Também não estou dizendo que isto seja culpa dos recrutadores e sua falta de tempo. Pelo contrário. Os contratadores são os responsáveis por limitar as possibilidades de avaliação. São os contratadores que tornam o processo de seleção baseado em conhecimentos específicos e anos de experiência, como se fossem as únicas variáveis a se considerar.

Felizmente algumas empresas já estão abrindo os olhos e enxergando que um colaborador apaixonado pelo que faz pode ser muito mais produtivo que um que tem 30 anos de experiência. As empresas de recrutamento e seleção estão observando algumas outras variáveis extremamente importantes.

E que variáveis são essas? Tenho certeza de que você ficou muito curioso agora! E está morrendo de vontade de se fazer aparecer, ser “o cara” para este novo recrutador.

Vamos, então, falar um pouco sobre “O Pequeno Guia de Sobrevivência nos Processos Seletivos”!

  • Você tem perfil no Linkedin? Como estão suas conexões? Alguém recomendou o seu trabalho? Ponto pra você!
  • Você participa ativamente de comunidades técnicas? Você faz comentários relevantes ou até mesmo polêmicos (no sentido de despertar uma discussão sadia)? Ou seus comentários (quando existem) se limitam a “Vai, Corinthians!”? Vida inteligente em comunidades ou fóruns demonstra que você tem verdadeiro interesse pela área e que não é apenas mais um querendo ganhar dinheiro. Acredite, isso faz muita diferença!
  • Você é responsável por um site ou blog que aborda questões da sua área? Ou escreve constantemente para blogs? Fantástico! Você criou uma comunidade à sua volta, com pessoas que se interessam em ouvir o que você tem a dizer. E, por isso, te respeitam; logo, você será “o cara” referência na nova empresa. Por isso, não é à toa que profissionais são insistentemente convidados a se tornarem colaboradores de Blogs e Fóruns.

Cada vez mais empresas devem considerar candidatos além do currículo nos seus processos seletivos. Assim como os profissionais devem demonstrar paixão por aquilo que fazem. Com o conhecimento cada vez mais acessível, paixão, engajamento e criatividade são os reais diferenciais do Profissional do Conhecimento no mercado.

Posso dar como exemplo meu caso em particular. Se você me oferecer uma vaga na “melhor” empresa do mundo e me pedir pra que, antes de mais nada, mande meu currículo pro seu departamento de seleção, minha resposta seria algo como:

Eu não tenho currículo tradicional, daqueles feitos no Word, nem tenho como fazer um, por que nem processador de texto eu tenho instalado no meu notebook pessoal; tenho perfil pessoal no about.me,linkedin (preciso dar mais atenção pra esse); tenho um blog pessoal, com uma página no facebook; tenho uma conta no twitter, onde sou seguido por algumas pessoas bem bacanas do mundo TI, um índice klout em construção e minhas qualificações técnicas estão no visualize.me (esse sim atualizado). Se o recrutador não tem tempo de avaliar este material todo que diz muito sobre mim e prefere um resumo de características técnicas de uma página, com uma carta de apresentação cheia de frases feitas, talvez eu não seja o tipo de profissional que se encaixaria nesta empresa.

Um pouco radical? Talvez… Mas o Profissional do Conhecimento é um pacote completo a ser avaliado. Então a você, recrutador, sugiro considerar a possibilidade de oferecer algo a mais do que uma pilha de currículos aos seus clientes. Por mais que este queira limitá-lo.

Este pode ser o seu diferencial!


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Compleo ATS: Software de Recrutamento e Seleção que ajuda você a gerenciar as etapas do seu processo seletivo, desde a abertura da vaga, divulgação, triagem, testes, entrevistas e organização de todas as etapas para que você possa contratar o melhor candidato no menor tempo possível.

3 Comments

  1. Euripedes Castello

    / Responder

    Parabéns. Gostei da resposta a qual mostra a distância tecnológica entre uma empresa que oferece uma oportunidade de emprego e uma pessoa que se atualizou para poder concorrer com chances a uma dessas oportunidades oferecidas.
    Por outro lado, entendo que o Profissional de Recrutamento e Seleção, o qual atua nesse tipo de empresa, não pode e não deve se acomodar e buscar sempre uma estratégia que lhe permita inspirar e instrumentalizar os Gestores na evolução e atualização dos processos de recrutamento e seleção. Um fraternal abraço.


    • Marcelo Leite

      / Responder

      Oi, Eurípedes! Você tocou em pontos fundamentais! O profissional de recrutamento e seleção não pode se acomodar e tem que ser criativo para conseguir captar novos talentos nesse mundo onde a tecnologia, as redes sociais e a conectividade dão as cartas! Muito bom seu comentário! Abraços e continue participando do blog!


    • Wagner Costa Santos

      / Responder

      Olá Euripedes,

      Muito obrigado. Esta é nossa expectativa para esta área tão estratégica das empresas.
      Um abraço!


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